
Apesar do sucesso jogo não traz muitas novidades
Em 2007, a Infinity Ward acertou a mão de tal forma em Call of Duty 4: Modern Warfare que de certa maneira condenou a franquia a um futuro sem inovações. Cinco anos depois do lançamento do aclamado jogo de tiro, outros dois games excelentes foram publicados - Modern Warfare 2 e Black Ops -, e agora a série ganha seu terceiro capítulo, Call of Duty: Modern Warfare 3. Todos absolutamente idênticos em mecânica ao game de 2007 que inaugurou essa nova fase da aclamada franquia, que até então apostava em ambientação em guerras do passado.
Call of Duty: Modern Warfare 3 não traz nada de novo em termos de campanha. É o mesmo estilo "avance para o objetivo a seguir atirando em todos os que vê pela frente", com um mapa relativamente amplo e sequências de ação (geralmente a bordo de algum veículo) entrecortando o combate a pé, convencional. É tudo novamente perfeito, com visual realista lindo e tecnicamente empolgante (com a música orquestrada de Brian Tyler dando o tom), mas emocionalmente vazio. Sem novidade alguma na mecânica, já se sabe exatamente como agir no game, como vão responder os inimigos, qual o caminho mais seguro a se seguir... e mesmo quando o game busca algum retorno dramático, como em uma morte lá pelo primeiro terço do jogo, falha miseravalmente. É difícil sentir uma morte em meio a centenas de outras.
Além disso, a trama, que começa imediatamente após MW2, com os ultranacionalistas russos invadindo a ilha de Manhattan, Nova York, parece especialmente apressada desta vez, mais preocupada em pular de canto a canto do globo com os diversos personagens habituais. Parei de me importar com quem estava controlando nas primeiras duas horas de jogo, mais preocupado em "visitar" lugares como Dharmasala (India), Serra Leoa, Londres (Inglaterra), Mogadishu (Somália), Hamburgo (Alemanha), Paris (França), Praga (República Tcheca), Berlim (Alemanha), Dubai (Emirados Árabes), Washington (EUA) e o Kremlin (Moscou, Rússia). Todos os cenários são construídos em detalhes incríveis, mas o visual já deixou de ser novidade em games assim há bastante tempo.
Mas se a campanha é mais do mesmo, o multiplayer está ainda mais refinado, criado para oferecer a melhor experiência de combate online do mercado. Há 16 novos mapas, que vêm acompanhados de novos desafios. A tensão nas partidas de Call of Duty: Modern Warfare 3, o senso de urgência, de perigo, é muitas vezes superior ao sentido na campanha. E há muito o que obter nessas partidas.
O mais interessante é que houve uma procupação em estabelecer maior equilíbrio dependendo do estilo de atuação do jogador. Os "Strike Packages" foram adicionados ao clássico "Killstreaks" (as contagens de mortes ininterruptas). Neles, mesmo quem não tem obsessão pela relação entre frags obtidas e mortes pode ser premiado se contribuiu efetivamente para a partida. A mudança no peso das armas, que diminui um pouco o frenesi das rodadas, também contribuiu para equilibrar (um pouco) a disparidade entre jogadores veteranos e novatos.
Outra novidade, que ainda não vi sendo explorada em todo o seu potencial, mas é promissora, é o modo "Kill Confirmed". Nele você não apenas deve matar seus inimigos, mas coletar seus "dog tags", os colares metálicos com identificação do soldado. É possível também apanhar as dog tags de seu próprio time, para tirar do oponente a chance de faturar pontos extras. As possibilidades estratégicas são diversas.
Também retorna o modo "Spec Ops", com desafios de hordas de inimigos ("Survival", ótimo!), tempo, infiltração ou variações desses temas. Particularmente, prefiro as partidas cooperativas nesse modo de game ao conflito alucinante dos multiplayers em equipe. De qualquer maneira, são esses festins de balas via internet que garantem as vendas recordistas do game - já que mantém o interesse por meses (anos até) dos jogadores em Call of Duty: Modern Warfare 3. Como a minha apreciação envolve mais uma experiência single player, que se esgota em 10 horas (fora os "Spec Ops") começo a enxergar um declínio na franquia, que precisa de alguma reinvenção fora do multiplayer se não quiser perder espaço para outros shooters futuramente. As vendas continuam recordistas, mas a mesmice não sustentará a franquia mais cinco anos.