
Nova tecnologia trará mais precisão nas previsões do tempo
Pesquisadores estão cada vez mais certos de que fenômenos climáticos globais influenciam diretamente a incidência de raios no Brasil. Segundo o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE), Osmar Pinto Júnior, grande parte da comunidade científica acredita que as mudanças climáticas têm impacto no aumento da incidência de raios e de tempestades no mundo. Entretanto, ainda não há um estudo científico definitivo que ateste isso. "Para avaliar essas possíveis relações e tentar estabelecer previsões, temos investido em pesquisas", afirma Pinto Júnior.
Dados prévios do próprio Elat já indicam o aumento de incidência de raios em regiões de centros urbanos. De acordo com estudos, esse crescimento pode estar relacionado à mudança de temperatura e à poluição nos centros urbanos. Trabalhos do grupo apontam que aquecimento das águas do Oceano Atlântico devido ao aquecimento global pode causar o aumento da incidência de raios e tempestades no País.
"Observa-se uma provável tendência no aumento eventos extremos, como fortes tempestades e grande incidência de raios, mas não há informações suficientes para realizar uma análise estatística sobre essa questão", diz Pinto Júnior. Para ele, o próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), previsto para 2013, será decisivo no avanço das pesquisas.
Uma novidade que deve colaborar para as investigações é a Rede de Monitoramento BrasilDAT, lançada em agosto do ano passado. O sistema monitora raios e tempestades que torna possível saber a cada 24 horas se o fenômeno ocorreu em alguma parte das regiões pesquisadas. Além de aumentar a quantidade e qualidade das informações obtidas, será possível melhorar sistemas de alerta e prevenção contra raios e tempestades. A meta é que a nova tecnologia, instalada inicialmente no Rio de Janeiro, seja instalada em todo o Brasil até julho deste ano.