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BR-040 é a mais castigada pelos temporais 

A chuva que assola Minas Gerais transforma em uma perigosa aventura a viagem pelas rodovias que cortam o estado, principalmente as que ligam a capital mineira às regiões Central, Leste e Zona da Mata, as BRs 040 e 356. A situação mais grave é a da BR-040, no trecho entre Belo Horizonte e Congonhas, que teve vários pontos de interdições, somando mais de 20 horas fechada por alagamentos, quedas de barreira e limpeza de pistas, nos últimos dois dias. Nesta terça-feira, as máquinas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) tiveram de trabalhar duro em vários trechos enquanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) controlava o trânsito, que parou por completo por duas vezes, entre às 11h30 e 13h45, e entre às 15 e 18h15.

Em Itabirito, no km-583 da BR-040, o deslizamento de uma encosta de 30 metros de altura obrigou três caminhões e dois tratores a trabalhar por cerca de cinco horas na liberação do tráfego. Nesse vai e vem de máquinas, vez por outra passavam ambulâncias e UTIs móveis com suas sirenes ligadas. A fila no sentido Rio de Janeiro chegou ao Viaduto Márcio Rocha Martins, formando uma longa fila dupla de nove quilômetros. Somente no começo da noite foram totalmente liberadas as pistas nos dois sentidos, mas o tráfego continuava lento.

Demora na volta pra casa

Presas naquele obstáculo, muitas pessoas que tentaram voltar no dia anterior de cidades da Zona da Mata reclamaram da falta de informações nas estradas. Um grupo de amigos de Belo Horizonte que passou o Réveillon em Rio Espera, na Zona da Mata, contou que enfrentou alagamentos e retenções durante toda a segunda-feira. “Saímos às 7h para BH, mas Conselheiro Lafaiete estava interditada, pois as águas do rio que passa na cidade cobriram a rodovia”, conta o autônomo André Luiz Vidal, de 26. 

Quando finalmente a PRF e o DNIT conseguiram liberar uma pista de cada lado da BR-040, por volta das 13h, cerca de 150 metros da pista de sentido Rio de janeiro tiveram de ser interditadas. Uma cratera de 40 metros de profundidade foi aberta pela chuva na beira da estada. Várias árvores de grande porte, pedras e muita lama foram tragados para o fundo do buraco, onde um rio caudaloso corria ao fundo.

Completamente interditada 

Na BR-356, a queda de barreira no km 84 e uma erosão no 81 levaram o DNIT a fechar a rodovia totalmente, na altura de Cachoeira do Campo, Distrito de Ouro Preto. Até o começo desta noite, depois de mais de 36 horas de interdição, não havia previsões de liberação, segundo informou o tenente Rômulo Morati, da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). Motoristas eram orientados a pegar desvio por Ouro Branco, seguindo pela BR-040. Ainda na BR-356, o trânsito foi interditado no km 270, na ponte sobre o Rio do Glória, em Muriaé, na Zona da Mata. Solução para quem seguia em direção litoral fluminense e capixaba era o desvio pela BR-116, em direção a Carangola.

Rodovia da morte

A BR-381 (Fernão Dias), depois de duas horas fechada no sentido BH/São Paulo, no km 573, na segunda-feira, devido ao alagamento da ponte sobre o Rio Pará, voltou ao normal no fim da tarde desta terça-feira. Todo o tráfego teve que ser concentrado nas pistas em direção à capital mineira. No trecho entre BH e João Monlevade houve quedas de barreiras com interdições de no máximo uma hora. No km 477, em Sabará, na Grande BH, a queda de uma árvore na madrugada de ontem deixou apenas uma faixa liberada, e o trânsito seguia de forma alternada. À noite, a situação já havia se normalizado na maioria da estradas, exceto na BR-356. Porém, a chuva forte em alguns trechos deixou em alerta policiais rodoviários e funcionários do DNIT. 

Acessos

Uma das únicas passagens de Ouro Branco para Ouro Preto, a MG-443, de pista única, também sofreu com a força das 
águas. Nesta quarta-feira, por volta das 14h, havia 14 barreiras caídas em trechos de curvas e descidas, com homens trabalhando e máquinas tentando remover os montes maiores de terra. Árvores e pedras também rolaram para o asfalto, obrigando veículos a se espremerem para passar um por sentido. 

O acesso a Moeda, na Região Central, pela LMG-825, também ficou interditado desde a manhã de segunda-feira. No trecho de aproximadamente 20 km, havia pelo menos dez pontos da pista cobertos por árvores e pedras imensas, além de muita lama. Um trator utilizado na limpeza da estrada caiu quando um pedaço do barranco às margens da pista cedeu. O homem que o operava conseguiu saltar do veículo antes da queda, evitando uma tragédia. Na terça-feira apenas veículos conseguiam transitar pela via, cujo tráfego ficou restrito a meia pista

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